Serão seis mil anos de estudos que se resumirão em seis minutos de audição. Impaciência. Ninguém mais acreditará em algo que leva mais de três minutos para ser explicado: o movimento das marés e a crise dos mercados capitalistas numa frase. E ah claro, tudo será relativo e ponto final! Ou seria reticências? Aí meus olhos lerão códigos de barras e minhas mãos acelerarão partículas. Nada disso é tudo, mas tudo isso é fundamental; basta uma noite de insônia desligado do cabo e tudo fica claro.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Pós-modernidade
Serão seis mil anos de estudos que se resumirão em seis minutos de audição. Impaciência. Ninguém mais acreditará em algo que leva mais de três minutos para ser explicado: o movimento das marés e a crise dos mercados capitalistas numa frase. E ah claro, tudo será relativo e ponto final! Ou seria reticências? Aí meus olhos lerão códigos de barras e minhas mãos acelerarão partículas. Nada disso é tudo, mas tudo isso é fundamental; basta uma noite de insônia desligado do cabo e tudo fica claro.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
O ESBANJAR DE DÚVIDAS
ATÉ QUE PONTO O PONTO?
ATÉ QUE PONTO O CONTO?
ATÉ QUE PONTO O FALE?
ATÉ QUE PONTO O CALE?
ATÉ QUE PONTO O NERVOSO FEIXE?
ATÉ QUE PONTO O GENIOSO DEIXE?
ATÉ QUE PONTO, VALHO?
ATÉ QUE PONTO, FALHO?
ATÉ QUE PONTO, ESPREITO?
ATÉ QUE PONTO, DEITO?
ATÉ QUE PONTO, AMALDIÇOO?
E ATÉ QUE PONTO, ABENÇOO?
ATÉ QUE O MUNDO PARE
ATÉ QUE O MUNDO PIRE
ATÉ QUE O MUNDO PAIRE
ALITERAÇÃO ASSONANTE
Alfabeto apreende, a ascensão
assim atenta
a alma alerta, alvo acerto, a alegria atormenta
amnésia aumenta, a autonomia agora acena
ataco aliviado as afirmações, Atena
alienígena aproximando-se, avisto abalos
ausento-me, assim até afastá-los
ameaçá-los? As atenções apontam aqui
apresento-me a altura, apenas agredi
afortunados, alienados, arrasados
asas acorrentadas, assuntos acabados
a alma alerta, alvo acerto, a alegria atormenta
amnésia aumenta, a autonomia agora acena
ataco aliviado as afirmações, Atena
alienígena aproximando-se, avisto abalos
ausento-me, assim até afastá-los
ameaçá-los? As atenções apontam aqui
apresento-me a altura, apenas agredi
afortunados, alienados, arrasados
asas acorrentadas, assuntos acabados
andorinhas assustadas avistam albatrozes alvoroçados
amaldiçoo as aparência
agregam atitudes aguardando a advertência
acidentes acontecem, ascendem após a aurora
atmosfera afora a audacidade aprimora
apavoram atividades afetivas, ativas
ânimo ascendente, ações atrativas
aliviado, atrapalhado, até anormal
Ás amável, atencioso, alto-astral
atraio avalanches, atiro álcool alado
atentado às aventuras, apelo agravado
achei algo atrapalhado, abatido, aguardem
assunto aclamado, aspiro, agulhas ardem
agregam atitudes aguardando a advertência
acidentes acontecem, ascendem após a aurora
atmosfera afora a audacidade aprimora
apavoram atividades afetivas, ativas
ânimo ascendente, ações atrativas
aliviado, atrapalhado, até anormal
Ás amável, atencioso, alto-astral
atraio avalanches, atiro álcool alado
atentado às aventuras, apelo agravado
achei algo atrapalhado, abatido, aguardem
assunto aclamado, aspiro, agulhas ardem
LAMPEJOS DE SABEDORIA
... e dizia o
cartaz: “Compro ar, se é puro pago muito mais”. O que em outros tempos era
inimaginável, agora era a triste sina daquelas pessoas que viviam na cidade,
numa cidade que consome toda velhice possível e que com toda sua gente e todo
seu barulho não podia evitar toda a fumaça que a contaminava. Entretanto, por
mais incrível que pareça, aquele povo seguia crescendo, o carbono seguia
fazendo parte de suas moléculas.
Eu era um
carbono, que apesar de toda a catástrofe ao redor, não tolerava a falta de fé,
não permitia que ninguém baixasse os braços, que perdessem a lucidez. E com
esse espírito eu escrevia e escrevia palavras cegas, certo de que elas iriam
atingir os ouvidos dos entorpecidos, como uma bomba que explode nos calçadões
sujos da cidade. Escrevia um líquido inflamável, pior que gasolina, que consumia
rapidamente os desvarios das praças centenárias, onde bêbados e drogados cantavam
a sinfonia dos desvalidos. Escrevia em espasmos no intervalo invisível entre o
ser e a pálpebra dum minuto. Escrevia no espaço frenético jacente na alma torta
dos combatentes de pena e nanquim. Escrevia aquilo que poderia se tornar o hino
dos mudos, dos loucos desvairados em sanatórios imundos ou das prostitutas que
andam pela vida num eterno se dar. Eu, simplesmente, não podia parar de
escrever, não tinha como. A crua realidade, lá fora, de respirar fuligem e
chorar alcatrão contaminava meus pulmões, mas essa triste impureza gasosa não
chegaria a meu sangue, nunca chegaria... Antes disso, escapar-me-ia do cheiro
repugnante, sairia voando por aí, silvando, sem medo e sem rancor.
Eu escrevia e
assim começava a envelhecer. Suando esta verdade, escrevia mais e mais,
enquanto o chorume corria pelas veias dos habitantes. Escrevia a gilete, no
tampo da mesa de um bar os desatinos que a paixão propicia e que ali se
encerram e se descortinam. Escrevia com sangue, com o fervor dos suicidas,
palavras que ecoariam alto nos breus e se dissipariam nos canos de descarga dos
coletivos suburbanos; para, depois serem inaladas pelas ratazanas do esgoto
mais próximo.
Eu escrevia,
escrevia o espasmo de dor e alegria do poeta que morre ante a pulsação medíocre
da cidade putrefeita em lodo e gás tóxico, mas sem perder a esperança.
sábado, 29 de dezembro de 2012
VOCÊ E EU
Nós somos
nós.
E eles tão
sós como nós, não são nós
Porque você e eu já nos entrelaçamos,
Unimo-nos de
forma irreversível
E
construímos nossos NÓS de nós.
Destarte, eles
não podem ser nós, repito.
Nós que
somos nós
e só nós!
Entretanto,
sei que estou preso
Nesta língua
atroz que não permite o impossível!
E já que não tenho mais pronomes para empós
E já que não tenho mais pronomes para empós
Creio que só
resta inventar um
Que será somente
seu e meu.
Por acaso
você já ouviu falar no:
Voceu?
EU E VOCÊ
De dia,
penso em você.
De noite,
penso em você.
De manhã,
penso em você.
De
madrugada, penso em você.
Penso em
você até quando não estou pensando em você
Porque você
não é mais pensamento, você sou eu e eu sou você.
Assim, não é
mais possível pensar em mim. Se eu sou você e você sou eu
Meu
pensamento é você.
Entendeu?
domingo, 8 de abril de 2012
RECEITA POLIFÔNICA
Várias vozes ecoam em súbita sintonia
Elas são fortes, nenhuma a se sobrepor
Dá uma nova arte, onde cada um é cantor
São notas poderosas que temperam poesia
Misturam-se fonemas e salpicam ousadia
Eloquentemente a reinventar outro sabor
Protagonizando o despertar desse torpor:
Esta é a magia da apimentada polifonia
Que para mudar a nossa universidade
Essencial quebrar com a verticalidade
E ultrapassar o limite nos imposto
Jamais ficar só na retórica da luta
Já que movimento bom faz e executa
Pois fazer sentido é o pressuposto
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